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OJB - Estudo: 'Pobre tem custo de vida maior'
By: Eduardo A. de Oliveira
06/13/2009
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BOSTON - O seminário promovido pela Universidade de Massachusetts Boston sobre "Pobreza no Séc. XXI" debateu temas como programas sociais, concentração de renda e luta de classes.
Em época de crise econômica nos EUA, os questionamentos sobre a miséria no país aumentam. Segundo o Censo americano o país abriga uma população de 37 milhões de pobres. O governo federal avalia o nível de pobreza através de renda anual. É considerada pobre nos EUA toda família de três pessoas que ganhe até US$ 15 mil anuais.
"Nasci em família rica e tenho passado a minha vida inteira tentando entender porque tanta gente tem tão pouco, e poucos têm," disse Chuck Collins, professor do Instituto de Políticas (ONG) e escreveu um livro sobre pobreza com Bill Gates.
Collins, um herdeiro de uma poderosa família do ramos dos alimentos, reclamou da desigualdade perpetuada por aqueles que "preferem investir no mercado especulativo do que fortalecer a indústria de bens em consumo real, que criar empregos e ajuda as famílias a educarem seus filhos."
"Como admitimos viver numa sociedade em que "1% da população americana concentram renda superior à de 95%," questinou Collins.
Enquanto em todo os EUA, 12,5% da população é considerada pobre, na região nordeste do país 6 milhões de pessoas vivem em condições financeiras desfavoráveis. Na área conhecida como Nova Inglaterra - que compreende os estados de Maine, Vermont, New Hampshire, Massachusetts, Connecticut e Rhode Island - 11 % da população são pobres.
O professor Michael Stone criticou o que ele chamou de "bola de neve do mercado imobiliário.
"Existem vários mitos sobre o mercado imobiliário. Um deles diz que os preço das casas própria subir'a sempre," disse Stone.
Como solução para a pobreza nos EUA, que também estaria ligada aos altos índices de abandono escolar de estudantes nas escolas de Boston, o professor também sugeriu a criação de um novo imposto de 0,01% sobre todos os investimentos na bolsa de valores americana.
"Com esse novo imposto poderíamos gerar mais de US$ 200 bilhões anuais, que poderiam ser investidos nas bases da pobreza nesse país: a construção de mais casas populares e melhoria do sistema de ensino."
Não é preciso ir muito longe, dizem professores acadêmicos, para se encontrar milhares de famílias com problemas financeiros. Segundo o estudo "Bridging the Gap," conduzido por pesquisadores da Universidade de Massachusetts em Boston, 25% da população do estado não ganha o suficiente para pagar as contas básicas, com aluguel, alimentação, educação, etc.
Um artigo recente do jornal "Washington Post" chega a uma interessante conclusão, quando pesquisadores alegam que "é preciso ser rico para ser pobre nos EUA."
"Se você mora num bairro que não tem um grande supermercado, você vai pagar mais pelas frutas, verduras que consome. Se você não tem lavadoura de roupas em casa, vai ter frequentar uma Laundromat. Ou seja, custa mais caro ser pobre nesse país," afirma Randy Albelda, professora de Economia da Umass Boston.
Albelda acrescenta ainda que pobres gastam mais tempo buscando bens de consumo que a classe média pode acessar facilmente.
O seminário foi organizado pelo Center for Social Policy (CSP), na escola McCormack Graduate School of Policy Studies, da Universidade Massachusetts em Boston. Albelda cita que os seis maiores programas sociais voltados para as comunidades carentes estão defasados, porque foram baseados na realidade financeira de décadas atrás.
E as populações imigrantes também sofrem o efeito de políticas sociais defasadas. Os imigrantes legais não sabem navegar o sistema, e aos indocumentados são negados qualquer acesso, apesar de pagarem impostos de renda (no contra-cheque) e das mercadorias que consome.
Albelda classificou de ineficiente, a curto e longo prazos, a medida adota pelo Senado estadual de Massachusetts, que limitou o acesso de imigrante legais a serviços de saúde.
"Sobre esses cortes orçamentais é preciso fazer dois comentários. 1) Se você está aqui contribuindo com a economia local, qual razão explicaria ter que negar a você os mesmos serviços que outros moradores desfrutam? 2) Não faz sentido economicamente. Porque com menos pessoas no sistema, quem você acha que vai pagar pelos serviços que toda a população precisa?"
Mesmo em época de crise, diz a professora, cortes de programas sociais que afetam as populações carentes deveriam ser repensados.
"Os políticos justificam tudo pela crise, mas na verdade, tudo não passa de uma questão de prioridades," concluiu Albelda.


©O Jornal 2010


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