BOSTON - O júri popular do catarinense Joel Lemos, de 38 anos, acusado de terrorismo por ter explodido em 2006 uma bomba caseira no carro do mineiro Fernando Araújo, em Somerville, tem previsão de se estender até a quinta-feira, 23. O julgamento começou às 11 horas da última quarta-feira, em Boston.
A irmã do réu, Dinagel Lemos, disse que a família não pode entar na sala da corte-americana porque serão testemunhas no julgamento. Os parentes souberam pelo advogado que o desenho de uma bomba com instruções em inglês encontrado dentro de um exemplar do Corão (livro sagrado dos muçulmanos) nos pertences de Joel - o que teria sido a principal prova contra o catarinense de Criciúma - foi descartado porque Joel não sabe escrever no idioma estrangeiro, apesar de se comunicar.
Segundo a Agência Globo, o advogado Osvaldo Agripino de Castro Júnior, que prestou consultoria administrativa ao caso de Joel Lemos para a Casa do Catarinense (instituição de apoio ao imigrante), aguarda o julgamento para analisar a possibilidade de um acordo bilateral entre Brasil e Estados Unidos. Em caso de condenação, a intenção é conseguir que cumpra pena perto da família.
De acordo com Castro Júnior, o brasileiro é julgado por pelo menos oito crimes, entre eles explosão, lesão corporal e "porte de máquina mortífera", conforme termo que consta no processo.
Embora ele possa ser condenado por terrorismo, já que usou artefatos explosivos no ataque, a família de Lemos acredita que o crime tenha sido passional, pois Araújo tinha um relacionamento com a americana Cheri Ellis, ex-namorada do réu. Araújo escapou com vida, mas ficou com seqüelas em um dos olhos.
Prisão
Joel está preso numa cadeia de Cambridge desde a época do crime. Segundo Dinagel, o irmão está com fortes dores nas costas por causa de uma queda na prisão e que não tem acompanhamento médico.
A vice-cônsul, Maria do Socorro Valle, disse que esteve com Lemos na sexta-feira, 10, e que o brasileiro se queixou de que os remédios para dor não são suficientes. "Enviamos um pedido para a Superintendência da Cadeia de Cambridge pedindo que Lemos tenha a devida assistência médica". Ela afirmou que o consulado vai continuar acompanhando o caso, "mas só o Itamaraty tem poderes para uma interferência diplomática".





