A irmã de Lemos, Dinagel Lima, disse que a família fará um pedido ao governo brasileiro para que tente a extradição do irmão.
"Estamos muito chateados. Não houve um julgamento
justo, não havia provas concretas". Ela contou ainda que Lemos está numa cadeira de rodas e que "sofreu torturas na prisão".
Em 2005, Joel, há 17 anos nos Estados Unidos, foi preso acusado de ter provocado a explosão do carro de Carmo, que escapou com vida, mas enfrentou queimaduras de primeiro e segundo graus, 37 dias em coma, foi submetido a 10 cirurgias plásticas corretivas do rosto e perdeu as pálpebras dos dois olhos. O crime aconteceu em Somerville no ano de 2005 e a força da explosão atingiu a casa de Carmo, colocado a vida de 12 pessoas em risco.
O promotor do estado, Thomas O'Reilly abriu disse que se "não fosse pela proximidade do local do incidente a um hospital, e pela imensa vontade de Carmo de viver, estaríamos aqui julgando um assassinato doloso", disse.
Lemos respondeu por oito acusações contra ele, incluindo tentativa de assassinato, agressão e explosão. Ele foi condenado por todos os crimes e pode ter a pena reduzida para 36 anos se tiver bom comportamento. O brasileiro cumprirá os primeiros anos da sentença na Penitenciária de Concord.
Segundo sua irmã, Dinagel Lima, que acompanhou o julgamento, pesou o fato de terem encontrado nas coisas de Joel um exemplar do Alcorão, livro sagrado dos muçulmanos, e a acusação de que ele aprendeu a fabricar bombas na Marinha brasileira.
"Acontece que ele só serviu dez meses e no Hospital de Guarnição de Florianópolis. Apresentamos as provas disso, mas eles ignoraram", diz. "O Joel está em péssimas condições porque caiu na primeira prisão. Ele tem graves problemas nas costas e está em cadeira de rodas, precisando de tratamento."
O advogado de defesa Robert Normandin disse que, para casos de ataque com explosivos, a lei de Massachusetts recomenda de 16 a 90 meses de reclusão. "Não há dúvida que o caso foi uma tragédia, mas Lemos mantém a sua inocência." O advogado alegou que Lemos tem ainda a responsabilidade por um filho de 11 anos, o qual ele não vê há três anos.
"Pelo bem de Lemos, sua família e seu filho, peço ao Estado que o condene a 8 a 10 anos de prisão com direito a deportação após a sentença," pediu Normandin.
No Brasil
O advogado de defesa no Brasil, Osvaldo Agripino da Costa Júnior, diz que o julgamento foi adiantado para evitar a possibilidade de extradição ativa - o preso cumprir pena no País -, uma vez que o crime foi contra um brasileiro. Um dos requisitos, no entanto, é que o julgamento ainda não tenha ocorrido. Agripino agora diz que a única possibilidade de ele cumprir pena no Brasil é a assinatura de um acordo bilateral, firmado entre os dois países, o que considera improvável.
A mãe de Joel, de Criciúma (SC), diz que o crime foi passional, uma vez que ele estaria envolvido em um triângulo amoroso. Dele faziam parte o brasileiro que teve o carro explodido e a americana Cheri Ellis, funcionária da pizzaria de Joel.





